Versos livres — III: O Cavaleiro e a Sarracena

É noite em Jaffa.
Cintilam pelos céus — o de seda e o de fora —
As estrelas dantes escondidas.
É um ninho este mundo,
Uma alcova e uma cama de campanha.
Sultão ou soldado,
Poeta ou mudo,
Está no amor certa guerra
E na guerra certo amor.
Os olhares das virgens lascivas
E os olhares das odaliscas donas de casa:
A íris da antiga companheira
É no deserto
A íris da amante mais nova.
Os véus iluminados por velas
E as ruas clareadas pelo luar:
Despida antes da despedida,
Coberta antes do reencontro.
Onde está ela, pura de rena rajada?
Onde está, nua de pele acobreada?
Sumiste por entre o incenso
Quando a bela cidade caiu,
Quando a rota de comércio
Desfez das tâmaras a venda paterna.
Já é dia e o sol sobre todas levantou
Seu linho mais negro, a capa anônima,
A renda miúda que veda à minha terra
O resplendor do teu acastanhado céu.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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