Versos livres — II: Otelo e Desdemona

Quando as noites mal dormidas assim são porquê anseias o dia,
Quando os sonhos tornam-se pouca coisa diante da fábula acordada:
Olha, que é paixão!
Há nesta peregrinação de viradas e reviradas no colchão sentimento,
Alguma variação de “verei!” com “não verei…”
E de “bem-me-queres” permanentemente permeados de “mal-me-queres”.
Então, deitado acordas sem dormir, velando ilusões apressadas em morrer na alvorada.
Então, levantando corres a enfrentar o conto de carne e osso e… só isso!
Porquê ali está o nada
E nada poderás obter contra a realidade da auto-imposta agonia:
O dia é a razão arrastada contra o sentimento da vagueza alada,
É como aquela vela furada que do nauta arranca o vento e a sombra.
Não te lamentes. Rema com tua mão.
Rema até o porto criado pelo sedimento da sabedoria acumulada,
Esta epopéia empírica de empíreos derrubados até o chão.
À noite, ide dormir após o último pensamento puro;
Para que o dia te conceda o primeiro sentimento puro.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *