Que pergunta, heim Luísa?

“Como julgar, de forma completa, a personalidade de uma mulher, com uma só pergunta?” Pergunta-me, justamente, uma mulher: a cara leitora Luísa Schultz. Respondo à partir do meu ponto de vista masculino. Mas… Com uma só pergunta? Impossível, heim! Bom, bem.. Difícil (e perigoso) resumir tudo numa única questão, Luísa. Arrisco, porém. Talvez esta — O que é mais bonito e preferível, num sábado noturno: um jantar sob o céu estrelado do sítio à meia-noite ou a atmosfera iluminada da cidade às três da madrugada no bar?

A pergunta tem uma perspectiva espiritual. De um lado, está o natural singelo, algo inocente e cândido; está a capacidade de aceitação das coisas conforme elas são no mundo original, está a capacidade do maravilhamento de poder viver sob o signo da realidade e também a preferência pelo mistério (algo infantil, certamente) de admirar a realidade. Este espírito bucólico de “volta à casa” numa mulher compreende em medida substancial, ao meu ver, aquilo que se poderia chamar de “aura pra casar” de uma mulher, um certo “espírito de Hera” primordial. Ela pode gostar da cidade, pode morar na cidade, mas sempre terá um apreço idealista pelo campestre. Afinal, a urbe não tem útero. É disto que falo. Se você leu “A Cidade e as Serras”, certamente me entenderá. Por outro lado, está a paixão por Mordor (lembra de Tolkien?), pela civilização maquinária de fumaças e frenesi. Se ela preferir a metrópole simplesmente porquê o cinza das multidões citadinas lhe causa o prazer do movimento e porquê a agitação anônima constantemente lhe insufla adrenalina nas artérias mentais, ela pode ser o docinho de coco mais doce da terra, mas até a beleza dela fica artificialmente afetada e certamente ela envelhecerá mais precocemente. Pode parecer firula e besteira pseudo-psicológica para quem nunca prestou atenção nisto, mas é uma verdade das mais densas. Jung talvez tenha passado perto destes dois simulacros de arquétipos que, sem querer, eu acabo propondo. Entretanto, é certo que a mulher que prefere estrelas puras tem uma personalidade diferente daquela que prefere neóns anuviados — sobretudo se por personalidade entende-se uma macro-atitude básica para com as únicas duas possibilidades de habitat [metafísico-e-físico] planetário. No meio deste caminho entre o sítio no mato e a cidade que mata, há um caminhar patologicamente degradado (no sentido de graduação mesmo: o graduar diminuído) de materialismo e misticismo, pessimismo e otimismo, niilismo e fideísmo, etc. Então, é isto: Personalidade Celeste-Telúrica e Personalidade Atmosférico-Terrena. Como alegorias, inclusive, as duas possibilidades também podem servir para uma diferenciação religiosa da personalidade. Por fim, cara Luísa, ressalto que estas duas categorias, in structura, aplicam-se também a nós homens, mas por meios e questões substancialmente diferentes, diversas e divergentes. Mas tome, cara leitora, tudo isto como besteirol e palpiteirismo de alguém que não tinha resposta melhor para dar assim tão em cima da hora.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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