Poesia-proseada VI

Não querer ter te conhecido, não querer ter em ti me reconhecido, não querer ter em ti um pouco de mim. É por isso que estou aborrecido, é por isso que o coração está arrefecido, é por isso que qualquer não é um sim. Nada que eu diga para a mente soará desde agora coerente. Nada que eu recite ao coração parecerá razão neste instante. O cansaço de caminhar na tua direção e a direção pela piscadela mudar. O cansaço de correr no caminho oposto e o rumo pela cara fechada se alterar. Não sei, juro pelos céus, se o teu enigma é querer de adulto ou desejo de criança. Não sei, juro novamente, se o teu dizer é o que é ou é o que dizem as contradições. Confusão de olhares, fusão de não sei o quê, ilusão de procederes, alienação de consciências. Tu me machucas e num segundo me curas, tu me espancas e num segundo me medicas, tu me aniquilas e num segundo me ressuscitas, tu me aguilhoas e num segundo és a própria liberdade. É loucura ou qualquer variante de folia? É razão ao extremo ou qualquer espécie de melancolia? Dize logo a tua realidade, dize logo o que é verdade, dize logo o que é saudade… Não sei se teu cumprimento é doce nos olhos ou amargo na boca, não sei se teu aceno toca a mim quando passo ou é batida de mãos para a mosca que fica, não sei como decifrar, não sei como decodificar. Menina, pára com isto. Pára enquanto eu vivo de amores por ti, enquanto os amores e os dissabores são uma mesma coisa. Até quando, eu te pergunto, até quando ficaremos os dois assim?

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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