Poesia-proseada V

Querer quieto o dia como é quieta a noite, ansiar por nuvens acinzentadas sob o sol. Esperar pela morte diária do globo de luz, porque a cor de prata para a lua foi feita e em meio às trevas sequer a vela desejo. Escuridão ampla, integrada à toda canção, organicamente presa à partitura escolhida. Tocar para Helena este Adágio de Albinoni e tocar em seguida a Fantasia de Vaughan. Querer quieto o lar ao crepitar da madeira, que o dourado consome em paz na lareira: o fogo, antiga fagulha da tocha do Olimpo, aquecerá apenas os pés que se irão à cama, porque estes dois corpos, de Adão e sua Eva, serão duas brasas salvas do antigo e frio altar, do antigo, frio e apagado altar da melancolia.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *