Poesia-proseada IV

Tu não viste ainda lágrimas a tornam-se sal, tu não enxugaste ainda pequeninos cristais dos olhos sofredores de santos esquecidos. Ah, velha criança, ide aos bairros marginais, ide ver o caixote onde jaz o humano animal, onde cada suspiro é o mais lúbrico martírio. Eu vi, onde o horizonte não é de terra e sol, onde a refração das cores é o cinza visceral. Eu vi que os lenços são retalhos do sudário, mas também vi que uma luz brilha e brilha. Eu vi a luz, meu filho, a luz que me iluminou! A luz das sarjetas pútridas, dos cegos no frio, a luz das trevosas canções dos párias caídos, a chaga, a lepra, o tumor, o cancro, a latrina. Tudo, tudo na lágrima maior que tua matilha, tudo na gota-água doce e salgada dum olhar.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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