Evocação

Para a lua eu volto não os olhos, mas a mente quieta,
Quando a noite chega negra e de nuvens enraizada.
Nego à minha visão a imagem que a íris dela recorda.
Então no pensamento que imagina e que tudo recria,
Outra vez Helena vem cear comigo o queijo, as uvas,
O carneiro, os pêssegos, o desejo de estar ali e só ali.
Esta escuridão de ônix nestes finos veios de incenso,
Aqueles olhos de odalisca sarracena vibrando a vida.
A filosofia, pia fecalidade, que era diante de Helena?
A poesia, a música, qualquer arte grega e babilônica,
Que era quando com a mão ela suspendia o tempo?
E tu, lua bravia que me agulhas ferrenha o coração,
Por que te mostras, outra vez, como naquele Natal?
Inquieta, evocação tal me torna um cego ao relento,
No meu próprio relento de amar uma antiga bruma…

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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