CONSELHOS AMOROSOS | Parte 1 – Da Série Pessoalíssima: “Vivendo e Aprendendo”

I. Quando amares uma mulher, tu não deves apenas amá-la com seu presente e (suporta esta realidade com varonilidade!) não deves amá-la no presente se o futuro estiver comprometido pelo presente. Tu certamente sofrerias em vão e estragarias uma existência mais prazerosa à ela e a ti mesmo. Não sejas sadomasoquista. Quando amares uma mulher, tu deves amar também aquilo que no coração dela brotará no porvir — porque hoje é já semeado: os desejos, os valores, os projetos, enfim, os movimentos todos em direção à comunhão de corpos, de espíritos e de almas que é um casamento. É preciso que saibas discernir o quanto o “hoje-fazendo” abalará o “amanhã-a-fazer” que será o “ontem-feito”. Tua paixão atual será tua desilusão vindoura se não souberes conter o ardor dos teus sentimentos com o “balde d’água fria” dos teus pensamentos.

II. Não escrevas poesia em bilhetes, nem em e-mails e muito menos em mensagens de WhatsApp. Escreve, como o Michel Temer, cartas; escreve os poemas que dedicares a ela em cartas bem feitas. Afinal, cartas são coisas que não se consomem nos bolsos com os outros papeizinhos e tickets, nem que com um “delet” vão à lixeira ou com uma passada no “touch” do celular se consomem no nimbo virtual. Escreve em cartas e escreve com teu mais refinado esmero para que, à primeira briga, ela olhe para aquele pedaço de papel (tão cheio de ti e tão cheio dela) e perceba que, se o rasgar em mil pedacinhos como ela quer, estará rasgando carne sanguinolenta, a carne sanguinolenta e humana dos dois corações ora brigões. Até porque (e há nisto uma pontinha de orgulho literário e moral), tu quererás certamente que teus filhos e netos e bisnetos e teus descendentes todos ponham os olhos naquilo e digam “é assim que tem que ser!”

III. Seja gentil e cala a boca diante da brabeza dela. Mas, seja tão gentil a ponto de tudo dizer apenas… calando a boca. A mulher quando irada/raivosa/revoltada/furiosa/encolerizada/ fala muito e compulsivamente querendo atrair não a reação adequada ou inadequada das tuas palavras, como que convidando a um diálogo (coisa para dois, sabes disso, não é?). Ela quer, a valer, é a tua atenção: atenção que concorde ou discorde através do teu olhar aprovante ou desaprovante, mas atenção sincera, atenção que não seja um mudo “piloto automático” de inércia física e metafísica, atenção refletida e silenciosa que atenda à necessidade dela de desabafar o que bem entender na tua cara. Se quiseres argumentar e “discutir a relação”, perderás a oportunidade mais do que gostosa de admirar o movimento ensandecido dos lábios de uma mulher quando ela demonstra amor fingindo ódio. Cala a boca, energúmeno!

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium, sou agora acadêmico no 3o ano de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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